Votar a Reforma da Previdência não é uma opção, na opinião do assessor econômico da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) e professor da FGV-RJ, Arthur Igreja. O país precisa da reforma. “Será uma batalha que irá definir a quebra ou a salvação do Brasil”.

A previdência se tornou insustentável, segundo ele. Uma das causas é a não determinação de idade mínima para aposentadoria. Além disso, a expectativa de vida do brasileiro passou de 64 anos, em 1988, para 75, em 2015. “Ou seja: o brasileiro se aposenta cedo e vive anos dependendo da previdência. A idade média de aposentadoria no país é de 58 anos, uma das menores do mundo”, diz Arthur Igreja. Nos países desenvolvidos, as pessoas se aposentam, em média, com 64 anos.

Há ainda o envelhecimento da população, que é acelerado. Até o ano passado, de cada 100 brasileiros, 12 eram idosos. Em 2060, eles serão quase a metade.

Arthur Igreja também aponta as diferenças entre os valores pagos pelas previdências social e privada. A privada tem um teto de R$ 4 mil enquanto a pública pode chegar a R$ 33 mil. Em 2013, 670 mil servidores custaram R$ 40 bilhões aos cofres públicos e 270 mil militares, R$ 22 bilhões. Os outros 24 milhões de brasileiros que se aposentaram por empresas privadas custaram R$ 50 bilhões. “O que quer dizer que um milhão de servidores custam mais do que 24 milhões de brasileiros. Por que o servidor público precisa ter tantos benefícios a mais em comparação a um trabalhador da iniciativa privada? Isso precisa ser revisto”, questiona o assessor econômico da Faciap.

A PEC dos gastos proposta pelo governo Temer foi fortemente criticada porque, segundo manifestantes, representaria um impacto negativo em saúde e educação. Mas para Arthur Igreja, há uma falha de percepção já que só a previdência possui hoje um orçamento maior do que saúde, educação, desenvolvimento social e ciência e tecnologia, combinados. “Não faz sentido focar as críticas na redução de recursos para saúde e educação sem debater as aposentadorias. É o maior rombo do país”, diz ele. “Espero que a população brasileira tenha maturidade para entender que essa reforma não é opcional. É mandatória”.